A Alma


 Alma, esse sagrado que somos e nos torna únicos, mas que na mesma medida nos faz iguais, indivisíveis, que banhados neste grande Oceano vivo, nosso lar, nos permite ser e estar em todos os outros lugares, lugares esses que através de nossa sutil vibração nos mantém cativos ao cadafalso ou soltos, para que tal como os pássaros possamos ir além da terra que pisamos.
Alma. Não é o corpo, mas como ele se move;
Alma. Não é o que dizemos, mas tudo aquilo que vai além das palavras ditas;
Alma. Não são os silêncios, mas o que eles revelam;
Alma. Não são os olhos, mas o que através deles ainda que fechados, nos é possível observar;
Alma. Não é a boca, mas as palavras que se soltam a partir dela;
Alma, esse tudo em mim. 
Alma, esse tudo que somos, esse tudo que sou. 
Alma, essa que clama por se ver desnuda e liberta de suas couraças gastas e endurecidas pelos perfis do tempo. Essa, a que anseia pela hora em que é vista, pois só assim, vista, será amada, ainda que despida e frágil, se revelando, sem nenhuma pele, sangrando e gritando por assim se ver, pequena, tão pequena como um átomo, que ainda que presente, é invisível ao olhar humano, mas visível para uma outra Alma, essa, a que também se despiu.
Alma, a que sabe bem ao fundo, que só através desse despir lhe chega esse Amor que rasgando os véus, lhe chega e diz: "Amo-te, assim, tal como és, sem nenhum
 adereço, sem nenhuma pele. Amo-te, assim".

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