Quando confiamos, o amor nos concede a graça de crescer.
Aprendi sobre confiança neste contato estreito com Ela. O silêncio coloca-nos no lugar onde precisamos estar. Há abraços que são dados no silêncio. Há palavras que são ditas no silêncio. Há amor que só é possível que aconteça no silêncio.
O silêncio é em mim esse lugar de clareza, entendimento, pertença e comunhão. Dos silêncios nascem coisas bonitas. Por tantas vezes dou por mim a não saber usar as palavras certas, outras tantas vezes não sei se estou a fazer a coisa certa, mas no silêncio me encontro com Maria e a partir desse lugar me chegam tantas coisas, pois nesse vazio, tudo cabe. No silêncio cabem tantas palavras. Na distância cabe tanta proximidade e na solitude tantas almas. Não preciso de pessoas, mas de almas. Não sou de pessoas, mas de almas e as almas só se encontram em um lugar, na profundidade e não na superfície e por isso fui ficando neste lugar só meu onde com Maria sou o nada e é tão bom ser o nada com Ela.
Aprendi sobre confiança neste contato estreito com Ela. O silêncio coloca-nos no lugar onde precisamos estar. Há abraços que são dados no silêncio. Há palavras que são ditas no silêncio. Há amor que só é possível que aconteça no silêncio.
O silêncio é em mim esse lugar de clareza, entendimento, pertença e comunhão. Dos silêncios nascem coisas bonitas. Por tantas vezes dou por mim a não saber usar as palavras certas, outras tantas vezes não sei se estou a fazer a coisa certa, mas no silêncio me encontro com Maria e a partir desse lugar me chegam tantas coisas, pois nesse vazio, tudo cabe. No silêncio cabem tantas palavras. Na distância cabe tanta proximidade e na solitude tantas almas. Não preciso de pessoas, mas de almas. Não sou de pessoas, mas de almas e as almas só se encontram em um lugar, na profundidade e não na superfície e por isso fui ficando neste lugar só meu onde com Maria sou o nada e é tão bom ser o nada com Ela.
De artesã de trapos e linhas, pincéis e folhas brancas, ela me fez artesã de bloco e caneta, onde sozinha, tendo-a por companhia, fui alinhavando e cozendo letras e palavras. Hoje em dia não é só nos silêncios que nos encontramos, mas recordo o dia em que com pompa e circunstância me pediu que comprasse um caderno bonito para escrever. A par do caderno uma caneta que sentisse ser uma caneta especial. Me pedindo segredo, me falou que aquele caderno e caneta seriam só nossos e que não deveria quebrar a magia. As linhas desse caderno teriam de ser somente usadas para um fim, as nossas conversas e a cada linha, a cada folha, a cada caderno, os nossos laços se estreitaram e uma a uma, cada camada minha, cada história era trazida para ser cuidada. O tempo foi trazendo feridas antigas, dores, que cristalizadas deram lugar a sorrisos que não vinham de lugares genuínos, a conversas soltas e vazias de conteúdo e vivências que mascaradas pelas mais variadas carências me fizeram ser alguém que eu não era e assim fui-me sentindo como uma pedra em bruto que só Ela foi capaz de lapidar, só Ela teve a habilidade de um escultor que munido de amor por sua obra, força e cinzel me trouxe a este lugar onde hoje habito, o lugar da alma.
E assim, desses silêncios que juntas fizemos, a minha voz começou a chegar de lugares cada vez mais fecundos em mim. Eu mudei muito ao longo destes anos de convívio com Ela. Tenho dias em que percebo que me tornei uma observadora nata e alcanço o que está inacessível ao olhar.
Ela me ensinou que precisava estar muito atenta, pois do interior de conchas vulgares e macilentas, nos era possível colher as mais raras e belas pérolas, assim como do interior de baús cheios de brilho, poderíamos ser surpreendidos por esqueletos.
A frase "orai e vigiai" está sempre muito presente em nossas conversas e mesmo quando não consigo essa atenção mais cuidada e plena, ela lá está para me dizer da importância de passar por aquela ruela justa e escarpada, pois só a partir dela avisto paisagens que não visito a partir de nenhum outro lugar.
"A vida é muito curiosa", me disse, "e um dia estamos em baixo e noutros estamos em cima e o que devemos aprender é que estando em baixo ou em cima devemos sempre estar olhando para o céu.

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