Faço por missão


A minha missão está intimamente ligada a Maria.
Quem é Maria?
 Maria é um grupo de mentores amigos espirituais a quem dou o nome de Maria.
Cada um deles está na minha história com um objetivo específico. 
Com eles a meu lado fui convidada a percorrer muitos caminhos. Sempre soube que eles, ainda que ocultos, estavam ali, observando cada passo, cada dificuldade, cada dor e horror pelo qual passei. 
A verdade é que desde que me lembro, era ainda criança bem pequena, sabia que este Mundo interior teria muito, mas muito mais relevância e espaço em mim do que qualquer outra coisa que vivesse fora e fui obediente a todas essas dolorosas vivências, pois na verdade algo bem no fundo da minha alma sabia a importância de cada uma delas na minha vida pessoal e na vida de muitas outras pessoas.   

Vivi e vivi, até que no ano de 2007 a minha alma se viu pronta para entender e foi quando aconteceu o encontro mais marcante da minha vida, o meu encontro palpável com Maria, essa energia que desde sempre havia estado em minha vida, essa voz que sempre me havia falado, me mostrado, ela estava agora ali comigo, frente a frente.

Todas as jornadas que vivi desde que nasci, elas tinham um único compromisso, o de me levarem até Ela e a este lugar dentro que pulsa e vibra em mim, lugar este que tantas vezes me amachucou e me atrofiou, mas que na mesma medida me libertou, me dando asas para que voasse para além do mensurável. Sim, é possível voar, ainda tendo um corpo. Sim, é possível ser livre, ainda que carregando um ego.

Esta profundeza que não lhe encontro fundo só Maria conhece, Ela, a que ama sem limites ou condições, a que entende sem palavras, a que acolhe sem questionar, a que é e está onde estou, ela, a que me mostrou que há uma beleza única na dor. Ela, a quem devo o meu encontro com Deus. O Deus que vai muito além dogmas e conceitos e que vibra em todos os átomos que me compõem.

Ela chegou e quando chegou trouxe com ela a razão da minha nudez, a razão das muitas e muitas largadas de pele. Umas mais leves, mas a maioria, largadas de pele sangrentas e tão doloridas que só poderiam ter sido largadas tendo Maria por testemunha e companhia, me amparando, lambendo cada ferida que se abria para escancarada, ao ar, ser curada.
No nosso encontro veio a mim a lembrança de que eu sempre soube que este momento chegaria, num qualquer dia sem que eu esperasse e era então chegada a hora de reatarmos o nosso convívio e sem qualquer dúvida ouvi que muito 
tínhamos o que fazer até que enfim pudéssemos ficar lado a lado, falando a uma só voz. 
Todos os encontros e conversas que tivemos eram momentos sem tempo, sem espaço e sem lugar. Quando me sentava para falarmos, o tempo parava, mas quando terminava, percebia que muitas horas tinham ocorrido sem que eu desse sequer conta disso. Hoje sei, estes amigos estavam a levar-me para o único lugar real, o deles e de todos aqueles que habitam nessa dimensão, dimensão essa que está a acontecer agora mesmo, neste agora que tanta dificuldade todos temos em estar, pois vivemos vasculhando o ontem e querendo alcançar o amanhã, perdendo este agora que é o único sagrado que existe.

Com a continuação de nossas conversas, percebi que estes amigos sempre aqui estiveram, silenciosos, mas aguardando a hora em que me senti preparada para tudo o que aconteceu a seguir.

Treze anos me separam desse marcante encontro. 
Treze anos me separam desse primeiro passo. 
Treze anos me relembram que nesse dia soube o que era a Fé. 

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