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Tudo é caminho, mesmo quando o neguei, sabia, que continuava a ser caminho.
Caminhar sem ver foi a única forma de sobreviver, me aprofundando cada vez mais neste fértil terreno, o de dentro.
Sou mais de almas do que de pessoas. A verdade é que as pessoas crêem acerrimamente que são só isso, pessoas.
A verdade é que não são, são almas e a minha envolvência com o outro passa por isso, me envolver com a sua alma e não com aquilo que julga somente ser, pessoa. Se todos soubessem o quanto são simples suas almas e tão complexas suas pessoas, desejariam também elas serem só e simplesmente, almas.
Caminhando, sigo, ainda que saiba que tudo o que vejo e tudo o que se apresenta acontece na superfície, uma superfície onde já não consigo existir, numa superficialidade que não me preenche nem nunca preencheu e por isso de forma consciente permaneço e me mantenho neste profundo que por tantas vezes se desarruma, mas com o objetivo maior, o de recolocar tudo no seu devido lugar.
Ao contrário da Lua que caminha sem luz própria, o eremita, ao apagar a sua lamparina com um sopro, ele se encontra pronto para se aventurar no caminho da noite escura, aí, seus olhos já acostumados à luz que lhe vem de dentro, sabe, esclarecem seus passos.
Ainda que não alcance onde pisam os seus pés, ele segue, confiando que todas as cicatrizes do corpo e da alma o recordem da ousadia de continuar caminhando, ainda que nada veja.
De tanto andar, ele já não se ilude, pois sabe que jamais conseguirá ver o mundo tal como ele se apresenta, e é de olhos fechados que avança sempre e eu como eterna peregrina, mantenho uma fidelidade contínua a este caminhar profundo e vincado, pois só assim sou capaz de sorrir, pois sei que só assim caminho lúcida.
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