Devir


Não flutuo sobre águas paradas, não me movo em rotinas estanques, não me contorço nas zonas brancas nem nas suas opostas, as pretas, danço sim, de braços erguidos em direção aos céus fascinada pelas infindas gradações que existem entre esses opostos. Neste caminhar pela estrada que une o branco ao preto venho abrindo espaços em mim que desconhecia, vácuos infinitos, que abrem espaço a vozes que me chegam mais de dentro, de lugares mais ao fundo, tão profundos que não lhes encontro fim e o fim, esse como o conhecia deixou de existir, pois estes fundos trazem-me sempre um novo sabor a início.

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