O visível e o invisível

 

Ainda que o visível seja belo e por tantas vezes avassalador, o invisível o transcende.

Não importa as vezes que os meus olhos se abrem e fecham para apreciar aquilo que tenho por habilidade fazer automaticamente, mas aquilo que vejo para lá dos olhos físicos é isso que prende toda a minha atenção e que de uma forma natural e inata acontece e é impossível enganar essa habilidade que é mais real que o cheirar, que o saborear e que o ver.
Por tantas vezes me perco na contemplação dessa invisibilidade, ficando ausente para muitas outras coisas, por tantas vezes o meu silêncio não é compreendido e compreensível, pois na verdade há outro mundo que também carece da minha total atenção, esse que vai além das fronteiras conhecidas.

As imagens podem ser belas, mas nem sempre o que está para além delas é assim tão belo, mas muitos ainda insistem em viver na rasa rama, não vivendo, mas sobrevivendo a balões de soro e a fragmentos motivacionais.

A cura e por conseguinte a felicidade reside nessa invisibilidade, em adentrar-se nessa invisibilidade, para além desse "belo", mas nem todos suportam essa cura, para muitos ela pode ser fatal e então avançam mostrando o belo que omite e abafa.

Quando se trata de vivência interior, da esfera mais íntima, a maior parte de nós revela uma inquietação e perante isso, muitos, fogem.
O risco dessa vivência interior, desse mergulho, dessa transcendência, da verdadeira aventura espiritual é estranho, pois a espiritualidade padronizada e preconizada que se vive, são pensos rápidos de motivação momentânea e cujo objetivo alimenta, oculta e mascara uma profunda infelicidade, inibindo assim que a vivência seja profunda e em pleno, livre de tampas que não permitem que toquemos esse invisível que é Tudo e é lá que o verdadeiro belo reside. 

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