Perder o rumo é perder a fé, essa que nos dá a rota por onde seguir e se nos achamos perdidos no labirinto, de olhos nublados e cujos pés não dão sinais de querer sair do lugar, crê que até essa paragem faz parte do caminho, acredita que essa paragem é caminho e permite-te permanecer aí o tempo suficiente para que a bússola que te habita, essa que sabe o projeto recalcule a rota e possas sentir a chama da fé que te serve de alavanca, pois é por ela que somos vistos nos planos sutis e são os muitos amigos que os habitam que disponíveis sempre oferecem seu amparo, sem essa fé, nem sequer existimos, nem sequer somos vistos e ainda que nos encontremos com um coração que lateja, ainda que haja o ar que sai e entra em nós isso é parte de uma mecânica automática inerente ao aparelho que nos serve de casa e essa realidade palpável nada é sem a chama que tudo incendeia e anima.
Perder o rumo, é uma ilusão, pois nunca o perdemos e quando voltamos a ligar em nós o farol da fé, ele é capaz de alcançar distâncias, trazendo-nos a clareza que se afastou, pois perdemos esse bem precioso, a fé, e é ela que ativada nos faz ir além do limite nos dado pela mastigável matéria.
Eu, extasiada na fé que se alastra em mim feito fogo incandescente, me desprendo de quem acredito ser e sou, entro num lugar sem nome, sem formas, num tempo sem ponteiros, num espaço sem rótulos e me vejo viajar não pelos meus pés, mas através de um novo elemento que não sendo o ar, que não sendo o éter, é algo que me faz rodopiar acima de todo e qualquer desafio, bloqueio ou obstáculo. Aqui nada disso existe e livre de todo o apelo à justificação, me deixo ficar, me deixo ficar.

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